ORDEM E AMOR

A Terapia Sistémica segundo Bert Hellinger nas Relações entre Casais

Pelo Dr. Bertold Ulsamer

Tradução de Isabel Simão

 

De que dependem a felicidade e a sensação de plenitude em todas as relações a dois? “Do amor” – evidentemente. Bem, mas ainda contando com este amor independentemente do que cada um possa entender sobre este conceito há sempre relações que fracassam. Na vida quotidiana dos casais proliferam os desentendimentos, lutas de poder, feridas e desilusões. Finalmente o abandono; pelos vistos, não se tratava da mulher ou do homem ideal. Será o próximo o homem dos seus sonhos? Virá a felicidade com a próxima mulher?

Obviamente, o amor só não é suficiente. Naturalmente são necessários também os “bons modos”.  Trata-se de ser aberto, sincero, de incentivar o hábito da conversação, de partilhar  os conflitos, etc. Mas ainda há algo mais? Que é que se pode pensar de alguém que numa relação com o amor pronuncia também a palavra ordem?

AMOR E ORDEM - UMA CONTRADIÇÃO?

Jesus disse: “Deus é amor”. Eu gostaria de te dizer: o amor é Deus. Esquece-te de Deus por completo. Mantém o valor de ir com o amor; nada mais deveria ter importância. Se o amor é importante para ti, tudo te será possível (Osho).

Um antagonista do amor parece ser a ordem. A ordem no amor – não é esta uma contradição evidente? Não é antes a ordem um estorvo para o amor? Não se tenta, mediante a ordem, compartimentar os sentimentos? É correcto construir diques ordenados para poder resistir à maré dos sentimentos?

Pensar em conceitos opostos como correcto e falso, não se vai muito longe. A vida é um movimento dinâmico entre pólos opostos e entre contrastes. A verdade nunca pode encontrar-se exclusivamente de um lado. Ambos os pólos (e outros tantos mais) são verdadeiros. Aquele que unicamente olha para um lado, excluindo o outro, acaba sendo um ideólogo independentemente da fachada que encobre esta ideologia. Se até agora na própria vida prevalecia um pólo determinado, recomenda-se, como contrapeso, ter em conta também o outro.

Se a ordem pudesse servir de contraste válido para o amor, de que tipo de ordem se está falando? Seguramente não daquela que, em caso extremo, obrigava os nossos antepassados a seguir vivendo um ao lado do outro, inclusive sem amor, simplesmente porque a sociedade e a sua ordem assim o exigiam. Essa ordem antiga está a cair em pedaços. Basta ver as relações à nosso volta: reina a confusão disfarçada de muitas formas e a estabilidade encontra-se cada vez menos. E nós, os filhos deste caos, vivemos no meio desta insegurança, recebemos feridas e causamo-las a outros, continuando as nossas  experiências sem cessar.

CONHECIMENTOS LIBERTADORES

Como se pode conseguir o amor? Nos seus livros e cartas, Bert Hellinger expressa um conhecimento profundo de uma ordem do amor na família e nas relações a dois. Tais ordens não poderiam ser também fantasmagóricas ou o resultado de uma visão conservadora do mundo? Não se trata, talvez, de alguém que inflama a sua ideologia para a apresentar como verdadeira e doutrina-la, impondo-a com a força da sua personalidade? Os críticos de Hellinger apontam exactamente isso.

Bert Hellinger, no entanto, não desenvolveu os seus conhecimentos no seu camarim, mas sim partindo do seu trabalho terapêutico com constelações familiares (ver o quadro). Assim, as suas teses são passíveis de comprovação. Em cada caso concreto, com um cliente, estas ideias têm de demonstrar a sua validade para alcançar uma solução e uma cura.

Assim pois, a comprovação na prática deveria ser o critério decisivo para considerar correcta uma ideia, ou não. O terapeuta deve poder reconhecer claramente um processo de cura como consequência do seu trabalho. Mas também, neste ponto, não existe a regra sem excepções; as expressões e os desvios individuais são variadíssimos. Apesar disso as seguintes ideias apresentam-se como pautas e impulsos.

A ORDEM BOA

O que Helliger apresenta é uma ordem antiga que actua no nosso interior. Esta ordem determina muito mais do que conscientemente sabemos. Nas constelações, os representantes reagem espontaneamente, mostrando os sentimentos que provém do lugar que ocupam. Experimentando com diferentes posições e expressando sentimentos e mensagens chaves, pode-se averiguar se algo corresponde à dinâmica reinante na constelação. Só se um passo serve para apaziguar o sistema inteiro, só se todos os membros da rede relacional se sentem aceites e acolhidos, pode-se falar de uma ordem boa. Uma ordem imposta desde fora permanece na superfície, enquanto que uma ordem que emana do interior também actua no profundo.

Pela sua grande importância gostaria de repetir este ponto: Esta ordem não tem nenhuma base ideológica! Exige, em cada caso concreto, uma comprovação baseada nas relações dos participantes. Assim pois, mediante este trabalho, uma e outra vez consegue-se trazer à superfície o oculto e tornar visíveis as causas de determinados conflitos. A realidade aceite é libertadora, dissolve as implicações em velhas ilusões e abre o passo à reconciliação. Desta maneira, a perspectiva amplia-se e, com ela, também a responsabilidade.

No entanto, estas constelações não só explicam e resolvem casos individuais. Aquilo que em muitas constelações resulta igual ou similar permite-nos deduzir as estruturas gerais que regem nas nossas relações.

DAR E RECEBER

Com o passar do tempo uma relação unicamente pode ir bem se nela existir um equilíbrio entre o dar e o receber. Sempre que é só uma parte a que dá, cria-se um desequilíbrio e uma tensão que nos apressa a buscar a compensação. Enquanto o outro  devolve algo, a tensão pode acabar. Se este último dá um pouco mais do que recebeu, mantém-se uma tensão boa na relação.

“A felicidade numa relação depende da medida em que se recebe e se dá. Um movimento reduzido só traz ganhos reduzidos. Quanto mais extenso for o intercâmbio, tanto mais profundo será a felicidade. No entanto, existe uma grande desvantagem: a vinculação resulta ainda mais forte. O que quer a liberdade, tão só pode dar e receber muito pouco e tão só pode permitir um intercâmbio muito reduzido em ambas as partes”.

Naquelas relações em que unicamente é um que dá, enquanto o outro tão somente recebe, correm o perigo de fracassar. Em qualquer momento, um dos dois já não suporta o desequilíbrio – e pode muito bem ser aquele que recebeu demais – e vai-se embora.

O que vale para a compensação do bem, também é válido para a compensação do mal. Enquanto um comete uma injustiça com o outro, ferindo-o, desenvolve-se a mesma necessidade de compensação. O autor da injustiça deveria oferecer um sacrifício ou algum tipo de satisfação que aproximadamente corresponda ao que fez; assim, favorece a relação. Também é correcto exigir a compensação. Para a compensação do mal resulta especialmente proveitoso exigir algo menos do que o outro fez.

Aquele que se considera demasiado nobre para exigir a compensação, por exemplo, perdoando generosamente, danifica a relação, já que não resolve a necessidade da compensação de uma maneira humanamente compreensível. Pelo contrário, ainda agrava o desequilíbrio, já que, por uma parte  ele é  a vítima, por outra parte, se sobrepõe ao outro, perdoando-o. Esta é uma das razões pelas quais Hellinger diz: “Muitas vezes, o que parece ser o bom, na realidade é o mau”.

O VÍNCULO

Frequentemente, as constelações oferecem uma imagem fascinante enquanto se configuram os envolvimentos amorosos com relações anteriores, especialmente com um primeiro amor. Mesmo que haja, de permeio, vinte ou trinta anos, os representantes olham-se radiantes, mostrando claramente a forte atracção que sentem. É um vínculo surpreendente que aqui aparece e que a pessoa que configura a constelação não conhecia conscientemente em toda a sua profundidade. Tão pouco há alguma diferença se a relação, estava legalizada ou não. Por isso, nas constelações é correcto falar do “teu marido” e da “tua mulher” sempre que se trate de um vínculo sério.

Como é que se pode dar este vínculo? A sexualidade unida ao amor vincula.  Enquanto duas pessoas fazem amor – com amor – cria-se um vínculo, independentemente de o quererem ou não, de ter sentido, se é socialmente aceite ou não. Este vínculo tende a uma união duradoira, ou seja, ao matrimónio. Se um quer o casamento, mas o outro se nega, esta negação vive-se como uma ferida que pode levar ao fracasso da relação. No trabalho com constelações, ao falar de uma relação de muitos anos, a pergunta de Hellinger é: porque não se casaram? Ao mesmo tempo soa nos meus ouvidos a frase de Osho: “o casamento é a morte do amor”.  Mas,  uma vez morto o amor, não tem nenhuma importância saber se foi pelo casamento ou por não estar casados.

Também este vínculo não é indissolúvel. Assim por exemplo uma mulher, cujo marido está paralítico desde que teve um acidente, dirige-se à terapia familiar. Hellinger diz-lhe que cada um tem de carregar sozinho uma sorte assim, sem poder esperar que o seu companheiro siga atado a si toda a sua vida.

O vínculo é mais forte na primeira relação, quer dizer que com cada separação e cada nova relação o vínculo decresce. Aquele que muitas vezes se separa, a pouco e pouco, perde o forte vínculo original com o seu companheiro. Sem dúvida, há que distinguir claramente entre vínculo e amor.

“ A segunda relação já não tem a mesma profundidade como a primeira. Não  pode ter, nem tem por que tê-la. No entanto, não quer dizer que será menos feliz ou que haverá menos amor. Até pode ser que o amor na segunda relação seja maior e mais profundo. Só um vínculo no sentido original, como numa primeira relação, se lhes nega”

Hellinger sublinha que não existe o casal único e verdadeiro; pelo contrário: aquele que converte a sua relação em única “se te fores embora, não resistiria”, exige demasiado da relação. Esta dependência corresponde à relação de um filho com os seus pais, mas não a uma entre adultos. Pelo contrário deve-se dizer: “ o melhor homem e a melhor mulher raras vezes se encontram. Em regra, o homem bom e a mulher boa são suficientes”.

OS FILHOS

O vínculo entre o homem e a mulher, por sua vez, procura o terceiro. O complemento natural são os filhos. Através de um filho sempre se cria um vínculo especialmente forte, independentemente das demais condições.

Assim, por exemplo, um casal vive, durante anos, numa relação íntima e de confiança, sem ter filhos. O homem dá uma escapadela e a amante fica grávida. Neste caso, corresponderia ao novo vínculo deixar a primeira mulher e assumir a responsabilidade do filho e da nova relação. A mera realização do acto sexual – mesmo sem amor –  acarreta  sempre o risco de um vínculo através de um filho.

As constelações verificam-no. Apresentarei um exemplo: um homem solteiro, de 45 anos, teve uma filha da sua amiga com a qual conviveu durante meio ano. Quando a mulher engravidou, a relação já estava a ponto de se dissolver. Ela propôs fazer um aborto, ele, no entanto, decidiu ter a filha. Na constelação, a relação entre pai e filha é terna e comovedora. Entre o homem e a mulher não há amor; mas através da sua paternidade no entanto existe um vínculo. Se o normal desenvolvimento de uma relação consiste  num filho, não quer dizer que não haja relações boas sem filhos. A esterilidade não desejada é uma “partida do destino”, difícil para um casal. Encarada conjuntamente, no entanto, aprofunda a união. Mas se um membro do casal está decidido a não ter filhos, esta atitude debilita a relação e o vínculo. Hellinger é de opinião: aquele membro do casal, que não quer ter filhos, ou não pode ter ou concebê-los, não tem nenhum direito de obrigar o outro, que se os quiser ter, a permanecer.  Tem de lhe dar a liberdade.

Também outra afirmação de Hellinger merece ser mencionada. Diz que a paternidade confere às pessoas um maior peso específico da alma. Não é verdade que, comparando pais e mães com pessoas solteiras da mesma idade, estas últimas parecem ter menos peso e tocar menos a realidade? Assim, há pouco tempo, chamei durante a noite, um terapeuta meu amigo que depois de se separar da mulher ficou com os dois filhos a cargo. Entusiasmado contava-lhe uma descoberta terapêutica, quando ele me interrompeu: “- isso não tem importância agora. Passei todo o dia com os meus filhos no parque de diversões e agora tenho de lhes fazer alguma coisa para comerem. Isso é o que me preocupa neste momento”. Quem de nós os dois estava mais em contacto com a realidade nesse momento? Quem estava mais com os pés na terra?

RESPEITAR O DESPREZADO

Em relação aos casais sem filhos Hellinger também fala do respeito perante aquilo que numa decisão se desprezou: “quando uma pessoa se decide por algo, regra geral, tem de deixar outra coisa em troca. Aquilo pelo qual se decide é aquilo que se realiza. … Se desprezam aquilo que não realizaram, esta atitude diminui algo do que elegeram, reduzindo-o. Em troca, valorizando o não realizado, se bem que não o tenham escolhido, ainda acrescentam algo ao que escolheram. As mulheres que estão conscientes da perda, renunciando a ter filhos e aceitando conscientemente esta renúncia, conservam o seu eu feminino. Assim, o escolhido ganha outra qualidade. Através da renúncia consciente, portanto, ganha-se algo. Aquilo que não escolho desenvolve a sua força se o valorizo, mesmo que eu não o realize”.

Aquele que na vida se decide por uma alternativa (por ex: a favor da paternidade ou contra ela), tem duas possibilidades. Isto é, aquele que menospreza a outra alternativa para assim ter a sensação de ter tomado a decisão “correcta”, fica limitado. Aquele que pelo contrário, admite a dor pela alternativa perdida, ganha amplitude.

CULPA E REPARAÇÃO

Um conceito que anteriormente me era mais confuso e questionável era o da culpa. Soava-me a preconceitos religiosos antiquados, a confissão e a pecado. Assim, no meu trabalho com as pessoas partia da convicção de que todas as pessoas fazem o melhor que podem. Desta maneira, o conceito de “culpa” parecia-me supérfluo.

No trabalho com as constelações, todavia, conceitos como “injustiça” e “culpa” aparecem debaixo de outro aspecto. Quando a “alma” de uma pessoa experimenta um facto como injustiça, procura que esta se pague. Este tipo de culpa tem sempre consequências negativas. Tem de ser paga, por um mesmo ou por outro membro do sistema. Para aqueles que ficam com os cabelos em pé ao ouvir tais frases, apresentarei uns quantos exemplos:

Um filho é sempre responsabilidade conjunta do pai e da mãe. Se um homem engendra um filho e deixa que a mulher o crie sozinha, renuncia à sua responsabilidade, cometendo uma injustiça. A sua alma exigirá um preço por isso. Ao ouvir pela primeira vez estas palavras, entendi um enigma do meu passado. A minha primeira amiga ficou grávida de mim no momento em que eu estava a ponto de deixar a relação. Em princípio, o filho foi criado com ela e com os seus pais. Durante esse tempo eu conheci o meu grande amor daquele tempo. Porém de imediato comecei a sentir uma resistência contra essa relação que durante os quatro anos seguintes, me levou a destruir sistematicamente a nossa amizade. Hoje em dia vejo claramente que simplesmente não podia suportar uma relação feliz e plena, quando, por outra parte, tinha abandonado a mãe do meu filho – apesar de todas as explicações racionais e justificações necessárias.

Uma injustiça numa relação de casal também pode ser a daquela pessoa que só tenha tomado outro por marido ou mulher, como uma solução de emergência. Em qualquer caso, é bom que a injustiça e a culpa sejam visíveis.  Nas constelações, as tensões ocultas dissolvem-se enquanto os sentimentos até então reprimidos, se expressam, quando uma mulher, por exemplo, diz ao seu marido: “estou furiosa contigo porque sempre fui a segunda opção para ti”. De repente, ele pode assumir-se e chegar a dizer: “Desculpa, sinto muito”.

O ABORTO VOLUNTÁRIO

O tema do aborto é um dos mais controversos no campo de batalha das ideologias. Também neste aspecto é esclarecedor servir-se das constelações familiares para ver os possíveis efeitos de um aborto.

“Na nossa cultura, o aborto tem efeitos muito profundos na alma – mesmo que possa haver grandes diferenças de família para família – e esta instância interna não se impressiona com argumentos. Actua de uma maneira absolutamente independente e também inconsciente”.

Aquilo que “a alma” regra geral percebe como injustiça, na maioria dos casos reprime-se com todas as forças. Quando só um queria e forçava o aborto, secretamente culpamo-lo e não o perdoamos. Às vezes, como é culpado pelo aborto, arrasta-se uma relação fracassada ou as relações sexuais escasseiam.

Em alguns casos, um aborto é a chave, quando numa constelação um casal (melhor dizendo, os seus representantes) estão inquietos sem poder encontrar a paz. Enquanto o assunto do aborto não vem à luz, assumindo ambos as responsabilidades, não pode dar-se a cura e encontrar a paz tão necessária neste caso.

Durante a pausa de um seminário, a conversa girava à volta da relação fracassada de um dos participantes. “Principalmente” – disse – “discutíamos pelo cão que acabáramos de comprar”. Gracejando disse-lhe que talvez fosse importante fazer uma constelação com o cão. O lugar deste era claro: aos pés do casal. Mais à frente ao configurar a constelação daquele participante, surgiu como tema importante o aborto que tinha ocorrido um ano antes da separação. Ao introduzir-se o filho abortado na constelação, este encontrava-se precisamente sentado aos pés do casal, no mesmo lugar que o cão comprado pouco depois e que, em lugar da criança, se converteu no responsável que trouxe à superfície o conflito do casal.

Para poder reconciliar a paz interior depois de um aborto, o filho abortado deve recuperar o seu lugar no sistema do pai e da mãe. Para isso são de especial importância as frases que a mãe e/ou o pai dizem ao filho: “tu deste-me o máximo que se pode dar, a tua vida. Eu agora dou-te um lugar no meu coração”. Ou, simplesmente: “tenho muita pena. Agora tomo-te como meu filho”. Depois destas frases que em muitas constelações resolvem as tensões relacionadas com este tema, ainda gostaria de citar as palavras de Hellinger para uns pais que acabavam de fazer a sua constelação:

“Ainda é preciso manter, por mais tempo, a dor – no sentido de ainda ser necessário sofrer um pouco mais para deixar de sentir culpa.  Quando for o momento, deveis admitir a dor com o olhar posto na criança. Também é possível, durante muito tempo, dar à criança um lugar na vida. Assim, por exemplo, no vosso interior  podeis ensinar aos seus irmãos a conviver com ela e durante um ano, ensinar-lhe-ás  as coisas belas do mundo. Mas depois, deve estar acabado. A culpa deve acabar-se ao fim de um tempo. E depois não se fala mais disso. Assim, o filho encontra a paz e vocês olhareis em frente”.

SEPARAÇÃO E DESPEDIDA

Por vezes, o amor fracassa. Os casais separam-se, novos casais se formam. Como podemos enfrentar este facto?

“Na maioria dos casos acaba-se sem que nenhum dos dois tenha culpa. Termina-se porque cada um à sua maneira está implicado ou porque um se encontra noutro caminho ou se vê levado até outro caminho. Quem, pelo contrário tenta arranjar culpas, tem a imagem ou a ilusão de poder fazer algo ou que ele ou o outro, simplesmente teriam de mudar o seu comportamento para que tudo voltasse ao normal. Em vez de se dar conta do alcance e da profundidade da situação, a atenção centra-se nas supostas culpas e nas acusações mútuas. A solução consiste em que ambos se entreguem à sua dor, a essa aflição profunda porque tudo passou … . Numa separação, a raiva muitas vezes substitui a dor da aflição”.

Também os cônjuges anteriores fazem parte do sistema. Ao configurar o sistema actual de um cliente estes casais anteriores também se incluem na constelação.