TOKYO - SETEMBRO de 2001

 

Quero dar uma breve explicação logo de início acerca do trabalho que vou fazer aqui. Já ouviram o termo Constelações Familiares. Este só descreve o método, mas por detrás do método existem conhecimentos importantes das relações familiares, as relações entre homens e mulheres, pais e filhos, e também as relações num campo mais vasto. São estes conhecimentos que são muito importantes, porque no decurso dos anos tornou-se evidente que muitas doenças e outras males são causados por enredos na família. Estes enredos são inconscientes.

Tenho um exemplo. Uma mulher vem a um workshop e diz que a filha tem dificuldades. A filha escreveu uma carta a dizer que já não quer viver muito mais tempo. Assim, eu disponho a sua família actual. Isto significa que seleccionei representantes de um grupo como este para representá-la a ela própria, ao seu marido e aos filhos. Se a família for disposta em frente de todas as pessoas, as pessoas ficam muitas vezes surpreendidas quando vêem aquilo que elas próprias colocaram. Por exemplo, nesta constelação ela colocou a filha um bocadinho fora, e ela, embora estivesse ao lado do marido, estava a olhar para longe.

Assim, a partir deste quadro, posso inferir o problema imediatamente. Conduzo a mãe de acordo com o modo como olhava, e assim conduzi-a um bocadinho para fora e perguntei-lhe como se sentia lá. Disse sentir-se melhor. É surpreendente na verdade que ela se sentisse melhor quando a afastei um bocadinho da família. Depois, conduzi-a para trás, para o lugar onde tinha estado antes, e afastei um bocadinho mais a filha. Perguntei à filha como se sentia quando estava mais afastada. Ela, também, disse que se sentia melhor. Então perguntei à mãe como se sentia quando a filha se afastava e ela disse que se sentia melhor.

O que é que este exemplo revela? A mãe quer ir-se embora, na realidade quer morrer, e assim a filha também quer ir-se embora, na verdade quer morrer. Mas então, quando a filha se quer ir embora, a mãe sente-se melhor. Portanto, secretamente na sua alma, a filha disse à mãe: "Eu vou morrer no teu lugar. Morro para que possas ficar cá". Nenhuma delas tinha pensado nisto, o movimento foi completamente inconsciente. Foi trazido à luz através da constelação familiar.

Devem saber que não era a própria mãe nem a própria filha que estavam na constelação. Eram só representantes que não sabiam nada desta família. Isto mostra o poder da constelação familiar, porque logo que os representantes foram colocados, sentem-se como as pessoas que representam sem as conhecer. Assim, através dos representantes, vem à luz uma dinâmica escondida da família.

Mas porque quereria a mãe morrer? Deve ter acontecido qualquer coisa na sua família de origem. Então perguntei-lhe: "O que é que aconteceu na família de origem?" Ela disse: "Tive uma irmã gémea que morreu à nascença." Este era o segredo por detrás do movimento de querer morrer. Queria seguir a irmã gémea, porque sentia na alma que se poderia unir a ela desta maneira. Agora, o seu amor profundo pela irmã gémea veio à luz.

Se as pessoas sentem aquele desejo na alma, não quer dizer que o sigam sempre. Sentem-no. Às vezes porque o sentem, desenvolvem estranhos sintomas. Por exemplo, ficam gravemente doentes ou têm acidentes ou pensamentos suicidas.

Esta mulher tinha casado e uma das suas filhas sentiu que a mãe queria morrer. Portanto disse: "Vou morrer no seu lugar."

Expliquei agora dois conceitos importantes acerca das constelações familiares. Muitas dificuldades e doenças progridem a partir destas frases ditas silenciosamente no coração. Uma é: "Sigo-te na morte." A outra é: "Faço-o no teu lugar."

Mas porque é que as pessoas querem fazer isto? Porque se sentem ligadas de um modo muito profundo aos membros da sua família. Às vezes vemos pessoas que estão zangadas com a família, parecem estar contra a família, e podem sentir-se envergonhadas de terem tais sentimentos. Mas, quando dispomos a família, de repente vem à luz que estão ligadas à sua família por um amor profundo muito especial. Só estão enredadas de uma maneira específica. Vou explicar no decurso do seminário como estes enredos se desenvolvem. O que disse agora pode ser suficiente como introdução. Quero agora exemplificar o trabalho. Depois, explicarei o procedimento, e também deixarei que façam perguntas.

SOBRE A CONSCIÊNCIA

Este tipo de terapia é diferente daquilo a que possam estar habituados. Primeiro que tudo não tenho intenção, não tenho intenção pessoal de mudar nada no cliente. Só trago algo à superfície e aquilo que se tornar evidente, ajuda. Assim não fico activo, não quero mudar nada, porque ninguém é capaz de o fazer.

Vou explicar as ligações mais profundas.

Somos guiados pela nossa consciência. Sentimos a nossa consciência através de sensações de culpa e inocência. Esta consciência tem um propósito, um propósito principal, ligar-nos ao nosso grupo. Se nos desviamos do que é permitido no nosso grupo temos uma consciência pesada. Pudemos ver isto ontem à noite, quando ela estava aqui sentada e eu queria continuar com o trabalho. Ela disse: "Sendo japonesa não devo fazer mais." Nesta sociedade existem certas regras. Quando ela não obedece a estas regras, fica com uma consciência pesada. Uma americana ter-se-ia comportado de uma maneira muito diferente, porque na sua sociedade há outras regras.

Assim uma consciência leve de uma americana é diferente de uma consciência leve de uma japonesa. E, sem dúvida, o mesmo acontece com a consciência pesada. Algumas pessoas pensam que se seguirem a sua consciência, seguem uma lei que é geral para toda a gente. Mas a consciência liga-nos só ao nosso grupo.

Agora estou a chegar ao assunto. Se tentasse mudar algo nela, que não estivesse em conformidade com as leis do seu grupo, não a poderia mudar. Ela pode obedecer superficialmente, mas nada poderá ser mudado no seu coração. A maior parte do tempo. Porque, uma vez que sigamos este tipo de consciência, permanecemos criança de uma certa maneira. Para nos desenvolvermos temos de ser capazes de ir além dos limites da nossa consciência. Isto explica porque é que cada desenvolvimento e crescimento pessoal só é possível se formos capazes de ultrapassar os limites da consciência. E é por isto que só podemos desenvolver-nos ao ter uma consciência pesada. Só podemos desenvolver-nos ao sentirmo-nos culpados.

Pudemos ver isto ontem à noite. Quando ela se comportou como a mãe, quando ela está infeliz como a mãe, sente-se inocente. Mas se ela amasse o marido, embora possamos considerar isso uma coisa boa, teria de estar separada da mãe de uma certa forma. Então iria sentir-se culpada. Vêm a diferença?

Agora é importante que ajudemos cada pessoa a ter apoio para ir além dos limites da consciência. Fiz isto no último exercício com ela. Trouxe os seus antepassados para aqui. Ela tem não só de olhar para a mãe ou para o pai, mas existem mais que lhe podem dar autorização para mudar. Assim, não sou eu que intervenho, os seus antepassados intrometem-se. Ela pode mudar com uma consciência leve ao olhar para eles. Posso retirar-me e deixá-la com os antepassados. Perceberam?

Seguir a própria consciência é perigoso. Por exemplo, se uma criança diz no seu coração "Vou seguir-te na morte" fá-lo-á com uma consciência limpa. Assim a sua consciência leve conduzi-la-á para a morte.

As imagens que temos ligadas com a nossa consciência são mágicas. Vêm dum ponto do nosso desenvolvimento pessoal, quando estávamos a pensar de uma maneira mágica. Uma criança pensa realmente que se morrer irá agradar à mãe, ou mesmo que poderá salvar a mãe. Isto é pensar de uma maneira mágica.

Para crescer além disto temos de ganhar discernimento, para vermos o que está realmente a acontecer na consciência. E isso é muito difícil. Passei cerca de seis anos a observar como trabalha a consciência. Então de repente cheguei lá. Isto permite-me ajudar as pessoas a encontrar uma solução. Vou explicar mais acerca deste assunto à medida que formos prosseguindo com o trabalho.

A CONSCIÊNCIA COLECTIVA

Antes de continuarmos vou falar-vos da consciência colectiva. Já expliquei algo sobre a consciência pessoal antes. Sentimos a consciência pessoal, sentimo-la como culpa ou inocência. A consciência colectiva não pode ser sentida. Mas vemos os seus efeitos, especialmente através das constelações.

A consciência colectiva segue certas leis. A consciência colectiva é uma consciência que guia várias pessoas ao mesmo tempo. Vou enumerar os que são guiados e os que são afectados por esta consciência colectiva. Isto é muito importante e podem tomar nota para vocês, embora não seja difícil recordá-lo.

Aqueles que são afectados pela consciência colectiva são no nível mais baixo as crianças, as crianças numa família. No próximo nível estão os pais e os seus irmãos e irmãs. O próximo nível compreende os avós, mas não os irmãos e irmãs. Só os avós. No próximo nível às vezes está um ou outro dos bisavós. Estes são os parentes de sangue afectados pela consciência colectiva.

Além dos parentes de sangue há outros que pertencem a este grupo. Esses são aqueles que abriram espaço para pessoas dentro do sistema, por exemplo, cônjuges anteriores dos pais e avós. E aqueles que pagaram com as suas vidas ou infelicidade para o bem estar daqueles dentro do grupo. Por exemplo, se um homem se tornou muito rico e alguns dos seus empregados contribuíram para isso com as suas vidas, então esses empregados pertencem ao sistema.

Tenho um exemplo que suponho está num dos livros. Havia um avô que construiu uma caminho de ferro nos Estados Unidos e ficou muito rico. Mas muitos dos trabalhadores morreram enquanto o construíam. Eles pertencem ao sistema.

O que é que significa isto? A consciência colectiva observa toda a totalidade do sistema. Se alguém que pertence ao sistema é excluído, essa pessoa será representada mais tarde por outra pessoa dentro do sistema. Se voltar ao exemplo acabado de citar, o bisneto do homem que ficou muito rico com o caminho de ferro sentiu-se muito fraco incapaz de fazer algo de criativo. Na constelação aconteceu que ele foi identificado com aqueles trabalhadores que morreram em benefício do bisavô e da família. A consciência colectiva trabalha assim. Isto explica os enredos, porque é que alguém está preso ao destino e ao destino de outras pessoas dentro do sistema.

Vou citar um exemplo relativo à Alemanha. Em muitas famílias judaicas encontramos uma criança que representa os assassinos, aqueles que mataram tantos judeus durante a última guerra. E em muitas famílias do assassino encontramos crianças que representam as vítimas. Isto significa que se numa família houve um assassino, essa vítima pertence àquele sistema. E se numa família houver uma vítima de um assassino, o assassino pertence ao sistema. Isto parece muito estranho a muita gente, porque olhamos para as vítimas com pena e com compaixão, e olhamos os criminosos como estando excluídos. Nas famílias dos criminosos as pessoas não querem olhar para as vítimas, mas as vítimas serão representadas por um ou outro dos seus filhos ou netos.

E nas famílias das vítimas, eles não querem olhar para os criminosos e excluem-nos. Portanto os criminosos serão representados por um ou outro dos seus filhos ou netos.

Esta consciência colectiva é inconsciente e se as pessoas são guiadas por esta consciência colectiva, não compreendem que têm de representar alguém que elas nem sequer conhecem. São pensamentos muito difíceis.

Volto agora a ela. Na sua família certamente que as pessoas não querem olhar para o avô. É por isso que ela o representa. Como é que ela o representa sem o saber? Ela sente ódio. Este é o ódio do avô. Poderá também ser o ódio do filho, porque os dois discutiam. Agora ela interfere ao tomar posse desses sentimentos. Mas para resolução seria necessário deixar o problema com aquelas duas. Isto é porque te sentiste melhor quando te afastaste.

Penso que isto se tornará claro se passarmos a uma demonstração, em vez de o explicar aqui.

LIGAÇÕES

Quero agora falar das ligações. Estamos todos ligados às nossas famílias por um amor muito profundo. Por este amor as crianças estão prontas a sacrificar tudo. Se soubéssemos isto, compreenderíamos as crianças. Estão até prontas a sacrificar as suas vidas se pensarem que vão ajudar os pais com isso. E querem ser como os seus pais. E esta é a razão porque podem observar que em certos sistemas sociais, digamos classes sociais, aqueles da classe mais baixa não a querem deixar, porque não ousam fazer melhor do que os seus pais.

Podemos ver que numa sociedade onde há oportunidades iguais para todos, aqueles da classe mais baixa, frequentemente não aproveitam as oportunidades por amor aos seus pais. Não ousam estar acima dos pais. Só o farão com a concordância deles, por exemplo se disserem aos pais: "Se fizer melhor que tu, provarei a todos como tu és bom." Assim, por amor aos seus pais a criança pode fazer isto. Mas se alguém diz: "Vou provar que sou melhor que tu." irá falhar pouco tempo depois, porque a criança dentro dele não pode tolerar ser melhor que os pais.

Isto também mostra como é difícil ajudar alguém em psicoterapia. Ele não quer ter uma vida melhor que os seus pais. Portanto, temos de ganhar o apoio dos pais. Então a criança pode mudar por amor a seus pais. Isso pode mudar com uma consciência limpa.

Para o cliente: Tem dinheiro?
Cliente: Não, não tenho.
Hellinger: Não tem mesmo nada?
Cliente: Está a falar de poupanças?
Hellinger: Sim.
Cliente: Não tenho quase nada.
Hellinger para o grupo: Se ela tivesse poupado muito dinheiro o que faria? Perde-lo-ia como o pai, por amor ao seu pai. Mas não agora, porque aqui experimentou que o amava. Pode assim pedir-lhe: "Por favor abençoa-me se eu guardar o meu dinheiro."
Para o cliente: Percebeu?
Cliente: Sim.

A PAZ ATRAVÉS DA DOR

Se tivesse havido uma guerra ou qualquer coisa parecida, uma ocupação de outro país, e as pessoas tivessem sido mortas e magoadas, existiria uma tensão por muitos anos, mesmo séculos. Sabemos isto por causa da Alemanha, e observamos também isso em Israel e na Palestina. Qual é a solução agora? Quando acabará o conflito? Só existe um meio de lhe pôr um fim: É a dor, o sofrimento do que aconteceu. Vou dar-lhes um exemplo.

Tivemos um congresso na Alemanha há alguns meses atrás e estiveram presentes um professor palestiniano e um professor israelita. Ambos tinham fundado um instituto da paz e queriam promover a paz entre os israelitas e os palestinianos. Então organizaram um workshop e durante o workshop queriam mostrar maneiras de reconciliar os israelitas e os palestinianos. Pediram-me para ajudar através de uma constelação familiar. Vou demonstrar agora isso aqui. Escolhi 5 representantes para os palestinianos e 5 representantes para os israelitas.

(seguiu-se uma demonstração naquele momento da palestra, sendo comentada por Hellinger depois)

Depois da demonstração:

Aqueles que estão no chão estão ao serviço da paz. Já não existe mais ódio, só dor. Aqueles (que ainda estão de pé) não estão ainda ao serviço da paz. Resistem à dor. Só haverá paz se todos sentirem dor. A paz é atingida se todos olharem para o que aconteceu. Todos devem olhar para isso. A pessoa morta no meio representa não só o morto de um lado, mas também o morto do outro lado.

Uma coisa importante deve também ser tomada em consideração. Tudo o que se conseguiu pela força e toda a mágoa infligida aos outros, tudo é em vão. Não se ganhou nada com isto. Esta é a verdade.

Imaginem agora os soldados americanos que conquistaram o Japão a irem a Hiroshima e Nagasaki, a encontrarem-se com todos os descendentes das vítimas lá e a sentirem a dor com eles. Sentem que efeito curador isto teria em todos eles?

Tudo bem, isto era o que queria demonstrar.

SOBRE O AMOR

Posso dizer alguma coisa sobre o amor. É um assunto muito importante. O amor é aquilo que nos estimula na nossa vida. Primeiro, o amor entre um homem e uma mulher. Toda a vida humana depende do amor entre um homem e uma mulher. É a base de tudo. Às vezes, as pessoas vêm com maus olhos o amor entre um homem e uma mulher. Mas é a coisa melhor do mundo, que nos comove profundamente. Uma vez começada uma relação, ela muda toda a nossa vida. Mas quando um homem e uma mulher dizem um ao outro "Amo-te" e se casam depois, será esse amor que eles aceitam como verdadeiro e que confessam um ao outro suficientemente forte para se aguentar? Se um homem diz a uma mulher "Amo-te" e a mulher diz ao homem "Amo-te" é esse amor suficientemente forte para durar? Não é suficientemente forte. Tem de acontecer mais alguma coisa para torná-lo forte.

Se um homem encontra uma mulher e uma mulher encontra um homem e se apaixonam, vêem-se um ao outro? Não. Olham para uma imagem, não para a pessoa real. E o que é que é a imagem? É a mãe ideal. Isto é verdade não só para o homem perante a mulher, mas também para a mulher perante o homem. Ambos pensam e sentem, agora encontrei a mãe ideal, agora tenho tudo o que quero e preciso. Mas como se verá depressa, isto é uma ilusão.

Então começa um outro amor. Chamo a este, amor à segunda vista.

Então temos de olhar para a pessoa real, e temos de amar a pessoa real, exactamente como ele ou ela são, sem qualquer desejo de os mudar. Algumas pessoas pensam que podem mudar os seus cônjuges. As mulheres especialmente pensam isto. Depois tratam o cônjuge como uma criancinha que precisa de ser educada.

A primeira coisa que um homem e uma mulher têm de perceber é que são ambos bastante diferentes. Um homem é diferente de uma mulher em quase todos os aspectos, e uma mulher é diferente de um homem em quase todos os aspectos. Assim são dois tipos de seres humanos. Embora sejam diferentes, são a edição correcta de seres humanos. O homem tem de pôr de parte a ideia que ele como homem é a pessoa humana ideal e a mulher tem de desistir da ideia que a mulher é a pessoa humana ideal. Ambos têm de admitir que têm falta de algo que a outra pessoa tem. Um homem precisa de uma mulher porque tem falta do que a mulher tem e uma mulher precisa do homem porque tem falta do que o homem tem.

Ambos têm de admitir que são incompletos. E ambos devem estar preparados para aceitar o que o outro cônjuge tem para dar. Ambos têm de admitir que a outra pessoa tem qualquer coisa que lhes falta, e têm de aceitar o que a outra parte dá. Esta é uma posição humilde. Eu admito que tenho necessidade. Ambos admitem que têm necessidade e ambos têm conhecimento que têm algo especial para dar. Desta maneira existe uma troca possível através da qual ambos após algum tempo se sentem enriquecidos.

Vemos que como consequência ambos têm de admitir que são igualmente valiosos. Ambos têm de admitir que existe uma igualdade básica entre eles. Isto torna possível uma sociedade. Se um dos cônjuges se comportar de uma maneira superior, por exemplo ao pensar que os homens ou mulheres são melhores que os outros, então a sociedade está em perigo.

Na Europa - não sei como é no Japão - algumas pessoas dizem que o homem tem de integrar as qualidades femininas e a mulher integrar as qualidades masculinas. Se o homem desenvolveu qualidades femininas se a mulher desenvolveu qualidades masculinas, ainda precisam um do outro? Não. Uma relação é melhor se o homem permanecer um homem, só um homem e mais nada, e se uma mulher permanecer uma mulher, só uma mulher e mais nada. Um homem deve desenvolver as qualidades masculinas e uma mulher as qualidades femininas. Um homem deve renovar as suas qualidades masculinas procurando a companhia de outros homens. Quando os homens estão juntos desenvolvem as suas qualidades masculinas. E vice-versa. As mulheres devem procurar a companhia de mulheres de tempos a tempos para renovar as suas qualidades femininas. Quando depois se encontram a sua relação fica enriquecida.

Há algo que deve ser considerado. Ambos, o homem e a mulher, vêm de famílias diferentes, e essas famílias são diferentes. Frequentemente a mulher pensa que a sua família é melhor do que a do homem, na verdade são maioritariamente as mulheres que pensam isto. Essa foi a razão porque elas acabaram de se rir. Mas também os homens pensam frequentemente que a sua família é melhor do que a da sua mulher. Mas ambas as famílias são igualmente boas. Tem de admitir que ambas as famílias são igualmente boas, embora sejam diferentes.

Isto é importante quando existem crianças. Relativamente à sua educação há muitas vezes conflito entre os cônjuges. A mulher acha que a criança deve ser educada de acordo com os valores da sua família. E o homem pensa que a criança deve ser educada de acordo com os valores da sua família. Então as crianças têm um tempo difícil porque gostam de ambos os pais e gostam das famílias de ambos os pais. Então os pais têm de concordar e reconhecer os valores de ambas as famílias e educar os seus filhos de acordo com eles.

Agora como é que uma criança se sentirá verdadeiramente feliz? Se o pai olhar para a criança e vir nessa criança a sua mulher e se ele amar na criança a sua mulher. E vice-versa. Se a mulher olhar para a criança e vir nela o pai da criança e se amar na criança o pai da criança. Então as crianças sentem-se realmente felizes.

(Tradução de Raquel Romãozinho)