AMOR CEGO E AMOR ILUMINADO

 

(Extracto de uma palestra de Bert Hellinger num workshop para profissionais e público em geral em Londres, 1997)

Uma criança está ligada aos pais, à sua família, por um profundo e incrível amor. Para uma criança, a morte ou o sofrimento, não é nada de terrível se imaginar que através destes fenómenos, ajuda os pais ou a sua família.

As crianças estão prontas para morrer em vez dos pais. Se um dos pais morre cedo, querem ir para junto dele, morrendo. Ou se a mãe, ou o pai, está muito doente, a criança quer ficar com a doença, e sofrer, em vez dos pais.

Este tipo de amor é cego, porque, a criança olha só para o seu próprio amor e não se apercebe do amor dos pais. Os pais, querem que os seus filhos tenham um destino melhor que o deles, que sejam saudáveis e que quando morrerem, os filhos vivam.

Se uma criança olha nos olhos da mãe, ou do pai, e vê claramente este amor, compreende este amor, então, já não consegue amar cegamente. O amor ilumina-se.

Algo de estranho se passa neste momento: com o amor cego, a criança sente-se bem e superior; com o amor iluminado, a criança sente-se pequena e humilde.

A solução para a maioria destes casos reside precisamente na mudança do cliente, do amor cego para o amor iluminado.

O amor cego mantém a criança presa aos pais, enquanto o amor iluminado permite que a criança comece a caminhar no seu próprio caminho.

Ligado ao amor cego, há ainda uma sentimento de inocência profunda e ao amor iluminado há a sensação de se estar só, por vezes culpa, o que requer força.